Ele: Você nunca quis ser a namorada de ninguém e agora é a esposa de alguém…
Ela: Me surpreendeu também.
Ele: Acho que nunca vou entender. Quer dizer, não faz sentido.
Ela: Só aconteceu.
Ele: É, mas é isso que não entendo. O que só aconteceu?
Ela: Só acordei um dia e soube.
Ele: Soube o quê?
Ela: O que eu nunca tive certeza com você.
[Silêncios. Desilusão.]
Ele: Sabe o que é uma droga? Perceber que tudo em que você acredita é mentira, é uma droga.
Ela: O que quer dizer?
Ele: Sabe, destino, almas gêmeas… Amor verdadeiro e todos aqueles contos infantis… Besteira, você estava certa, eu deveria ter escutado.
Ela: Não.
Ele: Sim, por que está sorrindo?
Ela: Tom… […] Eu estava sentada numa doceria lendo Dorian Gray, um cara chega pra mim e me pergunta sobre o livro e agora ele é meu marido.
Ele: É, e daí?
Ela: E daí que… E se eu… tivesse ido ao cinema? Ou tivesse ido almoçar em outro lugar? E se tivesse chegado 10 minutos mais tarde? Era… era pra ser. E eu só ficava pensando… “Tom estava certo.”
Ele: Não…
[Sorrisos.]
Ela: Sim, eu pensei…
[Cumplicidade.]
Ela: Só não era sobre mim que você estava certo.
500 Dias com Ela (500 Days of Summer)
Quando assisti esse filme eu estava em uma época complicada da minha vida. Estava desiludido e acreditei que tudo aquilo realmente era real. De fato é. Mas não aplicado somente ao amor. Talvez tenha a ver com o amor, digo, não esse amor que vocês estão acostumados, mas o amor próprio.
Quando assisti pela segunda vez, eu não sabia o que estava errado em mim, eu simplesmente não conseguia sentir qualquer tipo de empatia pelas pessoas. Eu estava iludido comigo mesmo. Com todas as coisas que não consegui fazer e com tudo que eu gostaria de ser ou ter feito.
Justamente por outro tipo de amor, minha vida estava praticamente em pedaços. Eu era incompleto, precisava de algo pra me preencher e foi exatamente então que eu foquei nos meus problemas. Eu era incompleto eu precisava de outra pessoa pra viver.
Quão triste é uma pessoa que não se ama? Uma pessoa que nasceu sozinha, mesmo que fruto de outra, mas que não consegue ficar sozinha pra viver? Eu sabia. Era alguém bem triste.
Então eu percebi que eu nunca poderia ser feliz sem estar feliz. Era como querer plantar flores em um terreno esburacado. Eu precisava tirar todos os tipos de sujeira existentes, pra que qualquer coisa nascesse ali. Essa “limpeza” me fez ter um dos insights mais gratificantes que já tive: ninguém é feliz sozinho, mas deve ser completo sem ninguém.
Te conheci quando tinha apenas seis anos de idade, te vi sendo a pessoa mais importante pra mim. Um amigo, um irmão, alguém que sempre estaria comigo. Você sempre estava ali. Sim, apesar de eu não ter nenhum amigo, você era meu único amigo. Estava ali quando decidi o que faria na faculdade, pelo simples fato de organizar o feijão ao lado do arroz. Pra tudo você tinha uma opinião, o que por muitas vezes ajudou a construir a minha e vice e versa. Éramos um só. Mas você se foi.
Eu me lembro do que aconteceu… Você costumava ficar sempre por perto da casa de sua avó. Sua família era preocupada, seu pai viajava muito… sua mãe trabalhava demais. Lembro da história do dia em que você fugiu de casa e tentou fazer as coisas sozinho e voltou com medo. Lembro de você me contar que não gostava dali. Lembro também de todas as histórias envolvendo seu tio. Sobre o quão triste sua avó era pelo fato de ele ser um reflexo do seu avô, que morreu por overdose.
Eu me lembro da confusão de quando o seu tio segurou o pescoço de sua avó e a balançava. E da sua cara assustada sem ter força o suficiente pra salvar aquela pessoa que sempre esteve ali por você. Me lembro que você saiu correndo com o sangue dela. “Alguém me ajude, a minha avó está morrendo” - Você dizia.
Quando eu te vi, eu não sabia realmente o que fazer, chamei meus pais, mas eles só podiam chamar a polícia. Sua avó faleceu e após dois dias você se foi. Não me contaram se por tristeza, ou se você se matou, você simplesmente desapareceu.
Em toda vitória que tenho, você está ali. Eu nunca te enterrei e jamais irei.
Evolução é uma coisa engraçada. Estamos acostumados com tudo que vemos, mas se olharmos pra trás, vamos nos deparar com situações, roupas e comportamentos totalmente ultrapassados. Mas isso não quer dizer que hoje em dia somos ultrapassados também? Ou no futuro continuaremos os mesmos?
No futuro teremos que simplesmente adaptarmos cada vez mais em um mundo ruim? Num mundo onde as pessoas trocam coisas básicas por coisas passageiras? Será?
Eu costumo pensar que as pessoas simplesmente não entendem o valor das coisas mais. Não é tudo que tem etiqueta com preço no mundo. Algumas coisas, como amizade, amor, sentimentos em geral simplesmente são… ( pasme ) de graça. E talvez esse seja o verdadeiro motivo das coisas. O amor não é um iphone, ou um produto novo da apple. A consideração pelos outros é algo barato de se ter, algo simples, talvez por isso, algo tão desprezado.
Nunca fui politicamente correto, mas eu acredito e sei que algumas coisas não se compram. Você pode ter dinheiro, ir a uma festa, fazer amigos. O seu dinheiro pode comprá-los, mas quando ele acabar, vão ficar com você o que foi verdadeiro.
É clichê tudo que eu disse? É. Mas infelizmente as pessoas ignoram até mesmo os clichês da vida. Querem tanta coisa nova, tanta coisa moderna, que simplesmente deixam o básico pra trás. E sem alicerce não é construído nada.
Eu realmente queria ter o poder de um dia viajar no tempo e no futuro, olhar pra trás, e poder ver o que se tornou o mundo. Enquanto vivo, tento me adaptar. Gritam e eu grito de volta, me tratam bem e eu trato melhor ainda. O problema é perceber que existem cada vez mais gritos e menos educação. Continuaremos nos adaptando então, até onde der e conseguirmos ser bons em mundo que insiste em ser ruim.
Você passou a vida inteira assistindo filmes, vendo desenhos, talvez lendo, se assim foi incentivado. A verdade é que seus pais te educaram, mas o que você aprendeu também veio de tudo isso que você absorveu.
Costumo entrar em uma depressão profunda quando me pego pensando se tudo que vi é um problema, ou uma solução. Sou um ser pensante e isso muitas vezes não me dá paz. Aquela vontade de ter feito algo diferente, não um arrependimento comum, mas aquela vontade de entrar em um Delorean e reescrever tudo, mudar algumas coisas, economizar traumas, esvaziar corpos no cemitério corpos que morreram dentro dos meus pensamentos, mas isso logo passa…
Talvez pelo fato de ser muito observador, tinha a teoria de que poderia aprender com os erros dos outros sem de fato ter que errar. Passei quase metade da minha vida observando, vendo os erros, as soluções e tentando aplicar isso na minha vida. O problema é que eu comecei a perceber que eu não tinha vida. Eu nunca poderia errar, nem acertar, não tinha no que apostar, eu teria que jogar o jogo de uma forma ou de outra.
Foi nos primeiros tombos que eu me levantei rindo. Feliz por ter minhas primeiras decepções. Foi o bastante pra que eu me tornasse um viciado em problemas. Eu não queria saber se aquilo iria ter uma solução, eu queria usar tudo que eu havia aprendido de uma forma ou de outra… e quando eu percebi, me vi em um caminho desconhecido. Porquê de uma forma ou de outra, estar na pele de quem errava não era o mesmo que ser um observador. Eu estava ali, sendo julgado, milhares de expectativas estavam acima de mim. Eu que julgava, estava sendo julgado. Eu não sabia nada.
Foi nesse momento que eu comecei a perceber também, que por vezes, eu esperava um amigo engraçado que fosse me dar conselhos, ou uma garota que aparecesse e me chamasse pra uma festa e me fizesse esquecer de tudo. Esperava uma casa de árvore, uma férias na casa de um tio onde eu conhecesse meus melhores amigos. Esperava por tanta coisa que percebi que aquilo tudo que era sinônimo de felicidade pra mim, não era necessariamente real. Era como se eu percebesse que desde criança, eu coloquei em minha cabeça o que era ser feliz. E na pré adolescência eu tivesse usado a mesma coisa observando os outros como um filme da vida real. Quando estive no meu filme, no meu roteiro, eu percebi que nada era como eu queria.
Eu vivia no meu mundo, mas eu necessitava pisar em ruas que foram construídas por outras pessoas e foi esse pensamento o bastante pra eu entender que TUDO que eu fiz pra me sentir vivo, causou danos em muitas pessoas.
Sofri calado e percebi que todos os valores que eu pensava ter, talvez não fossem valores. Me fechei por algum tempo, voltei a observar coisas, pessoas, situações, filmes e músicas e então, um dia, descobri que todas aquelas pessoas que sofreram por coisas que eu fiz por puro egoísmo, cresceram e se tornaram pessoas melhores. E eu descobri que não importava o que eu faria, tudo no mundo teria um motivo. Não que eu acreditasse em destino ou coisa assim, mas eu comecei a entender que erros ajudaram a transformar milhares de acertos, não só pra mim, mas para os outros. E só então eu pude colocar na minha cabeça, que não existe remakes nesse tipo de filme, mas continuações.
Talvez elas não sejam tão boas quanto o original, mas derivam de algo que foi ótimo e só por isso mereciam ser reprisadas nos melhores cinemas.
Eu nunca tive a vida que eu sempre quis, sempre acreditei em alguns finais felizes ou ganchos pra uma continuação perfeita, como se eu tivesse sido escrito como um personagem que sempre fosse se dar bem. Eu tinha esperança de que cuidassem de mim, de que me fizessem herói de algo, mas depois de muita coisa, descobri que quem escreve o roteiro sou eu e eu posso ser o que quiser.
Uma das coisas mais escrotas agora é que tudo que acontece em internet é dividido entre dois grupos: os que apoiam e os que discordam. Eu dificilmente vejo alguém estudando algo e tendo sua própria opinião e aceitar que alguns argumentos de um lado são bons e outros também.
O que eu acho mais escroto nisso tudo é que pessoas que aparentemente você tem algum tipo de contato, acham que você tem que ter a mesma opinião que elas. Mesmo que digam que aceitam, é mentira. Até eu mesmo posso dizer que respeito a opinião de todo mundo, mas não. Eu não respeito gente extremista.
TODO tipo de extremismo é ridículo. Eu acho que em primeiro lugar, pra você ter opinião, você tem que saber do que se trata. Se a opinião chega até você por qualquer veículo de comunicação, ela vai estar provavelmente distorcida. É fato de que televisão mostra o que vende.
Aí eu chego no ponto que eu queria chegar: A tragédia da boate Kiss. Sim, eu vou falar disso como milhares de pessoas falaram. Acontece que minha indignação continua, enquanto milhares de pessoas que choraram com montagens de mensagens em iphone no facebook ( amor eu vou morrer, te amo. ) já esqueceram e estão programando o carnaval.
Luto passa? Óbvio. Mas demora. O que sentimos ( sim eu também senti ) foi um pouco de egoísmo, aquela coisa de ” e se fosse eu? e se fosse alguém da minha família? “. Isso é normal, somos seres humanos, vamos nos emocionar se colocarmos em jogo coisas que nos importam. Acontece que ficar chocado e triste eu já vi acontecer de várias formas.
O que me entristece é ver que dia após dia existem coisas graves acontecendo aí e infelizmente ninguém vê. É NINGUÉM vê. Foi triste o que aconteceu? SIM. Não estou dizendo que foi a coisa mais normal do mundo. Mas até quando as pessoas vão ficar chorando e não esperando pra que isso não aconteça mais? É o jeito brasileiro? Gostar de sofrer?
“Ah mas eu não posso fazer nada pra mudar isso, não tem como ressuscitar quem morreu”. Porra, óbvio. Mas dá pra impedir que isso aconteça novamente. Como? É só da próxima vez, na próxima eleição você pensar em quem você tá votando. É… seu voto não vai mudar merda nenhuma? É amigo, o meu também não muda, mas se eu for pensar assim e votar entre os dois concorrentes mais fortes, o terceiro jamais vai ganhar. É um problema? É. Todo mundo pensa assim? Pensa. Mas não custa ter esperança.
E se você for idiota o suficiente pra vir dizer que “política não tem nada a ver com a boate” entenda que política tem a ver com o fato de você estar vivo. Você bebe, come e veste coisas que você comprou e pagou imposto por isso, logo você vive de política. E caso você ainda ache que não teve nada a ver, pesquise sobre as leis estaduais envolvendo incêndio.
Eu não costumo ligar muito pras coisas, muito menos quero dizer que o meu pensamento é o mais correto, você está livre pra concordar de algo e discordar de outra coisa, ou concordar com tudo, ou nada, vai de você, mas eu costumo ficar indignado é com essa coisa das pessoas entrarem de luto eterno até esperar pelo próximo. De usarem tanta coisa triste pra simplesmente promoverem um trabalho na internet. E antes que digam que eu estou me promovendo, entendam que existe diferenças entre desabafo e promoção.
Não sei até quando esse inconformismo vai continuar em mim, mas EU sei que a cada vez que eu puder ajudar alguém mesmo que seja atravessando o transito, isso vai me acalmar um pouco. Vou tentando recompensar onde consigo.

“Não importa o que façam, nunca passará de uma simples gota num oceano infinito.”
“Mas, o que é um oceano senão um conjunto de várias gotas?”
“Deve ser bom ser meio simples né? Não pensar em nada, acreditar em tudo que vê, deixar as coisas passarem batidas… Sabe? Não argumentar, não pensar nos vários caminhos que uma estrada pode levar… Deve ser bom ser mais simples… Sei lá, as vezes me culpo por ser curioso e tentar entender demais as coisas… Deve ser mais prático e feliz viver como todas as pessoas que se contentam com pouca coisa. Queria eu ter o dom da simplicidade. De contentar com o básico. De abraçar um mundo não desejando uma galáxia. “
Um ano atrás eu estava totalmente sem expectativas de vida, sem saber pra onde ia, se ia, se ficava. E a minha maior confusão realmente era de que o tempo estava passando e eu não sabia se havia ficado pra trás ou se eu havia perdido algo. Mas eu sabia que algo estava fora do lugar.
Era algo estranho, eu estava em paz, numa época que eu não deveria estar. Era como estar sentado num trilho de trem. Algo estava errado ali, mas o que?
O fato de ter dúvidas, já me fazia saber que eu estava perdendo coisas. Num mundo onde você pisca os olhos e já está num ano completamente novo, é fato de que não existe tempo pra perguntas, só respostas.
Mas responder suas próprias perguntas é algo estranho, você as vezes não responde com idéias realmente esclarecedoras, mas sim, com uma meia resposta, só pra te satisfazer até várias outras perguntas aparecerem. Ainda acredito que muitas perguntas irão aparecer em minha vida, e realmente espero por isso. Mas hoje tenho a mais absoluta certeza que estou exatamente onde sempre quis estar.
Sei que felicidade é algo estranho. Te coloca no céu pra que a queda seja mais dura, mas pra quem já caiu demais, mesmo se o paraquedas não funcionar, acredito que eu já tenho experiência em me levantar como se nada tivesse acontecido.
Mais um ano vai vir, mais planos vão sair fora do controle e quando eu tiver a absoluta certeza de que tudo está arruinado, vou perceber que é na falta de controle que está o caminho certo pra eu seguir. E que venha um novo ano. E que eu continue sabendo que apesar de ser apenas um dia no calendário, isso não vai tirar todos os problemas do ano passado, como se minha vida fosse nova, mas que a minha força de vontade continuará quebrando tudo em pequenos pedaços como eu sempre fiz em todos os anos passados. Felicidade é só questão de ser. E eu sou porquê quero. Feliz ano novo.